Poesia de Recado #1

Tentador de emprestado

 

Foi em dois mil e três

Lavado em lágrimas

Condenei o amor eterno,

Faltaram-me palavras.

 

Conheci tamanho universo,

Em pratos rasos, jantaradas,

Pedi um copo para o regresso

E não queria mesmo mais nada.

 

Tentei levantar os braços,

Pedir a Deus novo destino,

Este não tinha engraço,

Eu ainda era um menino.

 

Jovem, capaz,

Fígado de homem grande,

Recheado de guerra e paz,

O sabor forte de brande.

 

Já não fiz mais pedidos,

Escondi-me do futuro feliz,

Gabei-me de dias perdidos,

Na vida, era aprendiz.

 

A evitar fado, era mestre,

Sabedor de muito vinho,

Matar tempo não era um teste,

Mas o único sentido.

 

Vaiava loucuras dos novos,

Misturadas com pedras agudas,

Atirava-me à mão dos povos,

Em patéticas figuras.

 

Caí no comum dos momentos,

Pedi um café com cheirinho,

Emborrachado e desatento,

Deixei-me ficar no ninho.

 

Agora não voarei,

Não tenho falta de ar;

Não nadarei,

Tenho medo do mar.

 

Ficarei, então,

Perdido neste canto,

Mas hoje peço galão,

A cabeça já me dói tanto.

 


JOHNNY SALVATORE

Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

3 thoughts on “Poesia de Recado #1

  1. Não vos conheço, claro. Precisarei de vos ler muito mais (prometo). Mas…e nada. Nada de “mas”, o caso é que você tem culhões poéticos. Seja lá o que isto queira dizer. Mas, você há de convir comigo: né pouca coisa não, não senhor. Estou gostando de vos ler. Abraços.

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