R A J A D A

Fiz-me ao fundo da terra,

Em cavernas de ares quentes,

Ouvi um grito de guerra:

Em eco feroz , uivos latentes

Era a tua voz.

 

Fiz-me bravo, e bravando,

Atirei da vela o pano,

Bracei marés a dentro,

Que desta não me engano.

 

E da tua voz ao longe

A ver se me concentro

Procurei vista de ti,

Nunca tão atento.

 

Do fundo da terra ao cimo,

Em tão doloroso caminho,

De pedras e agulhas de pinho,

Até eu já me venci.

 

De tenacidade a forte vinho,

O único desastre que senti:

Em doces bordados de linho,

Encontro o sentido,

Que com cara frouxa se ri,

Ri-se devagarinho,

Ri-se de mim.

 

Patético e mansinho,

Caçador e caçado,

A presa do destino,

Destino esse de fraco fado,

Fado que te levou de mim.

 

A Deus peço carinho,

De ti, uma rosa e um carmim,

Uma pena de corvo-marinho,

Por me teres deixado assim.


JOHNNY SALVATORE

Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

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