Poesia de Recado #2

GRAFISMO

 

Lavei-me com pó de carvão,

Estendi o meu corpo ao Sol.

Fingi ser uma bola de canhão,

Lançando-me a ti.

 

Tu, esquivo,

Desviaste o coração,

Hoje não acerto,

Um dia, serás meu.

 

Desenhei-me nas paredes,

Dos palácios mais belos,

Queria que me visses, pleno,

Pintado de cores fulminantes,

No esmalte do medo.

 

Mas tu vives em castelos,

Frios granitos de assalto,

E com um golpe de martelo,

Dado no chão de asfalto,

Arruínas o meu doce canto,

Vindo do âmago singelo.

 

Tenho o coração em falhas,

Fundações interditas,

Que pinto, partidas,

Com as cores já fundidas,

Coalescem com o céu,

Misturam-se nas águas,

Dão regresso ao véu,

Que ponho nas minhas palavras.

 

E custa… tanto…

Este grafismo em canhão,

Este cabo tropical maldito,

Um amor tão interdito,

Pingado de triste canção.

 

Não tinha imagens,

Nem fotografias,

Nem pinturas,

Ou alegorias.

 

Não tinha amor,

Nem escrita,

Nem caneta,

Ou tinta.

 

Rasguei o teu retrato,

Que só me fez sofrer,

Pois na fúria deste fado,

Exércitos irei render!


JOHNNY SALVATORE

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s