S I N T O N A D A

Quando me deito em doce leito,

Já não sinto nada.

Deito-me no teu peito,

Ouço a tua batida,

Que em ternurosa bravada,

Tira o pouco que ainda sinto.

 

Quando me sento no verso,

Já não sinto nada.

Jorro na palavra,

Sangro letras de tanto,

Perco a fé na minha garra,

Fatiguei da rima e do canto.

 

Quando me dou de entrada,

Na festa do novo dia,

Vejo a luz com encanto,

E o teu sorriso de euforia.

Mas já não sinto nada,

Nem te sinto.

 

Que nos sonetos deste palco,

E nas pirrícas dos antigos,

Em vozes estaladas e afirmativas,

Na dramática do perigo,

Já não sinto nada.

Nem o medo da morte,

Nem a força da palavra…

 

Atiro-me, então,

Ao freixo da espada,

Que me deste em amor,

Do qual eu já não sinto nada.


JOHNNY SALVATORE

Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

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