H E S P É R I D E S


Lembro-me de me ver espelhado,

Num lago mestre, águas de prata…

E na marola agitada que retrata,

Só vejo um rosto cansado.

 

Nas quedadas lianas que beijava,

Floria um rosal de espinhos,

Embuscado numa alameda de pinho,

Que em raja de vento respirava.

 

Neste cheiro marinho…

Onde frescura se abate de carinho…

Sou reflexo que já nem importa.

 

Melros leves dão voz à crispação,

Que nua, dá desfaçatez p’la mão

E sussura música, doce absorta.

 

Dessa divina absorção,

Brota o fruto da mais pura beleza –

Que de orla costeira, faz fortaleza

Protege-se com gorbosa canção.

 

Com notas de sangue e euforia,

Agraciados de sol-verde eterno,

Pingados e rejeitados do Inverno,

Fazem do calor sua confraria.

 

Do Vinho: brotam saudades de voltar,

Do Azeite: doce mora de aqui chegar,

Lindos freixos da luz dentre Sobreiro!

 

Aos olhos castanhos a sul da Galiza,

Quebra-se jardim que às ondas amortiza,

O povo contente que nunca foi guerreiro.


JOHNNY SALVATORE

(um poema de bem haja a Portugal) 

Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

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