Sonetos #2 (poesia reciclada)


SERAFIM 

Nas noites azuis de asfixia,

Sou energúmeno em catárse,

Demónio que usa disfarçe,

Engolido na mágoa da afagia.

 

O inferno quente do dia,

Em bombardeada tenacidade,

Estalada de tanta maldade,

Entrega-me à necrologia…

 

Os estilhaços d’alma perdida,

Caem em poço, dão batida,

Morte que me viu nascer.

 

Sacrifíco a tinta da caneta,

Sou serafim que nunca acerta,

No ponto fraco deste viver.

 


HERMÉTICO

Procurei magias nos teus cantos,

Encontrei luz, e luar…

Explorei o teu vasto interior mar,

Cujas marés beijam em mantos.

 

Encontrei, no entando, enigma.

O teu núcleo era hermético,

Não temático nem cosmético,

Era alquimia de paradigma!

 

Dou-me então à maldição,

Que Midas viu em sua mão,

De permutar tudo em ouro.

 

O teu interior já não queda canção,

Tem o canto estagnado em oração,

Neste triste centro de lavouro.


JOHNNY SALVATORE

Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

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