Sonetos #3 (poesia reciclada)


LÍRIO

No pináculo de qualquer romance moderno,

Esperei por ti num banco de jardim,

Guardando entre véus um beijo e um jasmim,

Protegidos dos archotes do Inverno.

 

Dentre minutos e horas em que não aparecias,

Morreram de negro o jasmim e o beijo,

Até o livro que te recitei em desejo,

Perdeu a lombada na queda dos dias.

 

É neste jardim de lírios e rosas,

Que rimo as doces prosas,

Da tarde em que te perdi.

 

Hoje relembro na poesia lírica

Aquela tarde tão cruel como satírica,

Do último dia em que não te vi.


CARTAGENA

Aos longos dias de fresca-serra,

Tínhamos o mapa de todos os encantos,

Éramos espectro da rosa dos ventos,

Rosas brancas que não brotam nesta Terra.

 

Na ansiedade de sair, conquistar,

Éramos o chão dos velhos povos,

Pisados pela travada dos novos

Cansados, sem pé nem mar.

 

Afogados numa prisão estagnada,

Que ao Tempo só se declara paralisada,

Buscamos queimadura na luz Solar.

 

Fustigados dos Nortes e Lestes da amargura,

Nunca invocámos visão tão dura,

Como a de ver vida eterna nas hastes do Luar.


JOHNNY SALVATORE

Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.