Que te dirão?

Ai, amor, que te dirão?

No dia fúnebre que me vir partir,

Que contigo, não brotei a sorrir?

Que não tomei o teu beijo em adoração?

 

Não sei o que te dirão…

Que em amor de poeta, não se confia,

Ou que na prazerosa queda do dia,

Não guardei ternurosamente o teu coração?

 

Se fosse eu, dir-te-ia,

“Não importam as memórias de euforia,

  Nem o silêncio da minha oração.

 

  Amei-te e amar-te-ia,

  Seja no quedar do mais branco dia,

  Ou nas noites nascidas em comiseração…”

 

Ai, amor, que te dirão…?

Quando caminhares sobre pedras sombrias,

Ou lavares o rosto na mágoa dos dias,

Carregando a Mãe das Dores na procissão.

 

Eu sei bem o que te diria,

Se do meu defunto brotasse bela flor,

Que emanasse mais belo candor

D’aquele aroma da líturgia.

 

No entanto, sei bem,

Que no amor nada convém,

Tirando aquele que te dirão.

 

A receita de amar, todos a sabem,

sem sequer amar alguém,

Pois então, que te dirão,

“Não se ama poeta,

  Esse tem a alma repleta,

  Vive bem sem a tua paixão.”


JOHNNY SALVATORE

Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

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