Bossa Nova (em dois sonetos)

BOSSA NOVA

I

Meu querido Vinicius,

Deste-me amor demais,

Nos raios de luz mais brutais,

A fundo dos maiores precipícios.

 

Oh, amado Jobim,

Desfolhas a flor de pedra,

Nas tuas notas, o meu coração queda,

Em pétalas rochosas sem fim…

 

E Baden, de sorriso no rosto,

Dá-me tristeza na guitarra com gosto,

Em tardes tingidas de carmesim.

 

E tu, Gilberto, cantas a maior canção,

Desfeita em gritos de Louvação,

Onde até me oiço a mim.

 

II

Nas chuvas de Março, vejo Regina,

Sentada, vibrante, na sua casa de Campo,

Brotando rosas do maior encanto,

Numa doce cantada que me ilumina.

 

E não será saudade, não,

Eles ainda cá estão,

Cantando, tocando, cá dentro,

Cada corda de guitarra, um epicentro.

 

Será na magia tropical

Ou na ausência de qualquer final,

Que me encontro a dançar?

 

Nessa Bossa de recado,

Vejo o meu destino renovado,

Que sorri, ansioso de me encontrar.


JOHNNY SALVATORE

(aos meus amigos e leitores Brasileiros, amo-vos, amo-vos!)

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