Poesia de Recado #3

ESCADARIA

 

Sentados juntos, no chão bruto,

Dávamos beijos, ao calor,

Depositávamos lírios em flor

Nas orelhas um do outro…

 

Mas não te chegava,

Eras demasiado em tão pouco,

Tu davas gritos, já rouco,

Que até Lisboa ecoava…

 

Com olhos húmidos de alegria,

Recitavas a incrível fantasia:

“Quem me dera ser fruto maduro,

  Que se dá ao chão, já escuro,

  E do meu caroço ímpeto na morte,

  Brote a árvore mais altiva e forte!”

 

E eu, cansado da tua ambição,

Faço uma silênciosa oração:

“Quem me dera ser gota,

  Caída na Terra, desolada,

  Outrora lágrima, se vê elevada,

  Às nuvens altas, na condensação!”

 

Mas entre tanta fantasia,

Desistimos, outra vez, aos beijos,

Caídos da ilusão, mas já satisfeitos.

 

Já exaustos da gritaria,

Percebemos que juntos,

Temos tantos sonhos distintos,

Quanto há degraus nesta escadaria.


JOHNNY SALVATORE

Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

2 thoughts on “Poesia de Recado #3

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