C A N T E I R O

Na minha varanda escura,

Ouvi uma bonita canção,

Cantavas baixinho, em oração,

Como quem nada procura…

 

Tão bela era a melodia,

Não lírica nem cantada,

Mas apenas sussurada,

Regada de jovem fantasia!

 

Que doce aroma ela largava,

Em suspiros aéreos de prazer,

Rajadas de ar onde agarrava

A felicidade cândida de viver!

 

Até recebes beijos das flores,

Crisântemos e cravos,

Dão-se como teus escravos,

Em pétalas dobradas de louvores.

 

Eu só largo notas de sangue,

Na tua adorada subtileza,

Radiada de fulgores carnais,

Nas cordas vampirescas da gentileza.

 

Já não me recordo, então,

As variações que te ouvi tocar,

Nos espasmos corporais de amar,

Que demos… em sinergia, sem senão.

 

Seja nos violinos da orquestra,

Ou no nosso olhar que não protesta,

Já só vejo simbiose na canção.

 

Caí então na tentação,

Regando as camélias do canteiro,

De me imaginar, dançando… 

Ao teu bonito canto passageiro.


JOHNNY SALVATORE

Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

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