ANDORINHA

Um poema que encontrei numa agenda, escrevi quando tinha aproximadamente quinze anos de idade. Achei engraçado, vejo alguma beleza na minha escrita adolescente. 


Andorinha,

Leva daqui a chuva,

A tristeza, a saudade,

Lisboa é tão solitária,

O amor, esse, é a maldade.

 

Cidade perdida na luz,

como é próprio da sua idade,

talhada a azul e dourado,

como o céu que lhe termina,

um ouro puro, apaixonado,

a dimensão que nos reduz,

ao pó do nosso fado,

e na nuvem que fica, vejo a sina:

um banco de jardim,

uma viola,

a andorinha que leva a chuva,

e eu, abandonado

filho do amor, e mal-amado,

toco cada corda, varrendo para dentro,

porque, desde que há memória,

não há chuva nem vento,

que termine com tão triste história,

como a de ser só em tamanha beleza,

carregando tão forte tristeza.


JOHNNY SALVATORE

Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

3 thoughts on “ANDORINHA

  1. A julgar pelas linhas deste poema de juventude «carregado de tão forte tristeza», vê-se logo que o Johnny, assim como o Ovídio (e a comparação não é nada arbitrária), desde muito cedo dominava a arte que tanto propõe enigmas como os decifra. E nunca deixa de sentir saudade de Lisboa, que por vezes se mostra mesmo «tão solitária». —— Poetize-nos, Salvatore.

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