Sintonada (re-escrito)

Publiquei este poema, faz hoje um mês, e entretanto tive de o re-editar várias vezes. Gosto da sua ideia, mas não a consigo fazer funcionar totalmente, falta-me prática.


SINTONADA

SINTONADA

Deitado no nosso doce leito,
Já não sinto nada.
Deito-me no teu peito,
Ouço o teu coração em batida,
Que numa ternurosa bravada
Vai tirando o pouco que ainda sinto.

E quando me dou ao verso,
Já não sinto nada.
Já não tenho lágrimas a chorar
Nem poemas onde debitar
A dor que já nem sinto.

Dá-se então a entrada
De um novo dia, radiante,
Vejo a sua luz com encanto,
E o teu sorriso contagiante.
Mas já não sinto nada.

Vivo num palco de sonetos,
Sou actor de todos os momentos:
Do amor, de amar, de te ter.
E quando cai o pano de seda:
Já não sinto nada.
Nem o medo da morte,
Nem a força da palavra…

Atiro-me então, sem pudor
Ao gume afiado da tua espada,
Que empunhaste por mim no amor,
Do qual eu já não sinto nada.


João Maria Azevedo

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