T E M P O

Um poema um tanto estranho, não tens pés nem cabeça. Foi escrito à mão num tempo muito reduzido, e não o entendo directamente. Se virem algo nele, digam-me, per favore.


TEMPO

À invocada crueldade do Tempo,
Faço oração de puro desespero:
Que não me façam ode nenhuma.
Que não alimentem esta loucura.

Que não será na mortalha
A escusa de encontrar a falha
Entregue aos orgãos mais letais.

Serão gigantes ecrãs de pedra,
Empoleirados nas sete cabeças da Hidra,
Onde se carvarão os meus textos finais.

Será no halo dessas palavras,
Cravados do mais solene silêncio,
Que me darei à obra inacabada.

Verterá, nas suas grandes mágoas,
O liquido verde que ensopa as estrelas,
E beija os fardos das maiores montanhas.

São nessas palavras que racho a passagem,
E é nelas que me desfaço em miragem,
Na maralha de carinhos que me banha.

Será nessa adorada beleza,
Na candura do texto e sua natureza,
Que o Tempo passará rapidamente.

Inimigo da Arte que o lentifica,
Vítima mortal da sensibilidade mais rica,
Ao Tempo, não ofereço gentileza.


João Maria Azevedo

Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

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