MORRE, ACÁCIO

Morre, Acácio, meu amado.

Os Outros

Morre Acácio

(I – O Corpo Chega)

Dois homens e um menino e o mar;

“Olha!, está morto, plácido e escurecido!”

“Não lhe toques, morreu de paixão,

pode ser que entre o coração e o fígado

ainda lhe reste essa úmbrica infecção.”

Dois homens e um menino e o corpo marinho

fluando p’lo azul submarino, subindo e descendo

com a bravada das ondas, admeio escuridão.

É o Acácio — terá morrido pelas açucenas —

tanto as amou que as matou, tão só

que se matou no alto-mar, longe

das flores de amar, de lembrar

um amor que nunca brotou.

“Tão pálido, não há rubra de sangue,

não deve ter sofrido muito.”

“O que havia de sofrer, haverá sofrido

bem antes de ter morrido.”

“A candura de amar é como estas ondas,

tão belas… tão erosivas…”

“Que sabes tu de amar, menino?

Que sabes tu de morrer? De sofrer?”

E o…

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Hoje sou tudo no nada que sou, amanhã serei outro.

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