Uma Ode a Paulo Cunha

Paulo, desculpa-me, fora a primeira Ode que alguma vês terei escrito, por vias disso, não será a melhor que já haveis lido, talvez nem a melhor dedicada a ti. Mas gostei muito de a escrever, porque a escrevo para ti. Quem não conhece o meu querido Paulo, ele vive aqui. João Maria Azevedo, com ajuda de Eugénio de Andrade, na sua tradução da “Ode a Federico Garcia Lorca”, escrita por Pablo Neruda, e com ajuda de Verlaine, na sua “Canção de Outono”, citada na primeira estrofe.  

CHUVA QUENTE (poesia portuguesa)

Entre os átomos dos livros, a poeira dos dias, a fome de versar tão intensamente que as lágrimas me invadem os olhos, existe um sentimento cuja história da Arte Humana tende em replicar sempre com a mesma tristeza, com o mesmo olhar magoado: o abandono. Os espaços, as pessoas, os animais, os sonhos e romances, todos ganham a fronte inversa aquando abandonados, não há onda maior de sofrimento, não há perda maior para o imponente Tempo, que a de se ser desertado. É disso que nasce esta humilde composição, não tenho outro adjectivo para lhe entregar. Custa um pouco publicar este poema, cuidem bem dele. João Maria.

Povo Que Mira Além Do Mar

Tinha saudades de escrever sonetos de segunda-classe (haverá frase mais portuguesa que a anterior?), portanto rendi-me à melancolia naval. Uma humilde contribuição à longa tradição artística portuguesa do “povo que”, marcado pelas composições de Pedro Homem de Mello (Povo Que Lavas No Rio) e Dead Combo (Povo Que Cais Descalço). A parte referente às cores da bandeira não é um produto do meu daltonismo latente e profundo, mas sim à antiga bandeira portuguesa, anterior à verde-vermelha (da qual gosto mais, mas carrega menos sentido simbólico nesta composição específica). (para leitores brasileiros, “aqueles raios que nunca partem” é um trocadilho com a expressão portuguesa “raios te partam“, que acredito nunca se ter difundido no Brasil, até porque é uma frase feita um pouco pateta)