MORRE, ACÁCIO

Morre, Acácio, meu amado.

Morre Acácio

(I – O Corpo Chega)

Dois homens e um menino e o mar;

“Olha!, está morto, plácido e escurecido!”

“Não lhe toques, morreu de paixão,

pode ser que entre o coração e o fígado

ainda lhe reste essa úmbrica infecção.”

Dois homens e um menino e o corpo marinho

fluando p’lo azul submarino, subindo e descendo

com a bravada das ondas, admeio escuridão.

É o Acácio — terá morrido pelas açucenas —

tanto as amou que as matou, tão só

que se matou no alto-mar, longe

das flores de amar, de lembrar

um amor que nunca brotou.

“Tão pálido, não há rubra de sangue,

não deve ter sofrido muito.”

“O que havia de sofrer, haverá sofrido

bem antes de ter morrido.”

“A candura de amar é como estas ondas,

tão belas… tão erosivas…”

“Que sabes tu de amar, menino?

Que sabes tu de morrer? De sofrer?”

E o…

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Uma Ode a Paulo Cunha

Paulo, desculpa-me, fora a primeira Ode que alguma vês terei escrito, por vias disso, não será a melhor que já haveis lido, talvez nem a melhor dedicada a ti. Mas gostei muito de a escrever, porque a escrevo para ti. Quem não conhece o meu querido Paulo, ele vive aqui.


ode 1

Ode 2

Ode 3

ode 4


João Maria Azevedo, com ajuda de Eugénio de Andrade, na sua tradução da “Ode a Federico Garcia Lorca”, escrita por Pablo Neruda, e com ajuda de Verlaine, na sua “Canção de Outono”, citada na primeira estrofe.

 

CHUVA QUENTE (poesia portuguesa)

Entre os átomos dos livros, a poeira dos dias, a fome de versar tão intensamente que as lágrimas me invadem os olhos, existe um sentimento cuja história da Arte Humana tende em replicar sempre com a mesma tristeza, com o mesmo olhar magoado: o abandono.

Os espaços, as pessoas, os animais, os sonhos e romances, todos ganham a fronte inversa aquando abandonados, não há onda maior de sofrimento, não há perda maior para o imponente Tempo, que a de se ser desertado.

É disso que nasce esta humilde composição, não tenho outro adjectivo para lhe entregar.

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Custa um pouco publicar este poema, cuidem bem dele.


João Maria.

OLHANDO-ME, DEITANDO-SE, AQUI

Haverei escrito este poema enquanto experimentava com o som, acabou por sair algo meio-decente que agora, apreciarei partilhando.

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João Azevedo

Povo Que Mira Além Do Mar

Tinha saudades de escrever sonetos de segunda-classe (haverá frase mais portuguesa que a anterior?), portanto rendi-me à melancolia naval.

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Uma humilde contribuição à longa tradição artística portuguesa do “povo que”, marcado pelas composições de Pedro Homem de Mello (Povo Que Lavas No Rio) e Dead Combo (Povo Que Cais Descalço).

A parte referente às cores da bandeira não é um produto do meu daltonismo latente e profundo, mas sim à antiga bandeira portuguesa, anterior à verde-vermelha (da qual gosto mais, mas carrega menos sentido simbólico nesta composição específica).

(para leitores brasileiros, “aqueles raios que nunca partem” é um trocadilho com a expressão portuguesa “raios te partam“, que acredito nunca se ter difundido no Brasil, até porque é uma frase feita um pouco pateta)