CHUVA QUENTE (poesia portuguesa)

Entre os átomos dos livros, a poeira dos dias, a fome de versar tão intensamente que as lágrimas me invadem os olhos, existe um sentimento cuja história da Arte Humana tende em replicar sempre com a mesma tristeza, com o mesmo olhar magoado: o abandono. Os espaços, as pessoas, os animais, os sonhos e romances, todos ganham a fronte inversa aquando abandonados, não há onda maior de sofrimento, não há perda maior para o imponente Tempo, que a de se ser desertado. É disso que nasce esta humilde composição, não tenho outro adjectivo para lhe entregar. Custa um pouco publicar este poema, cuidem bem dele. João Maria.

Povo Que Mira Além Do Mar

Tinha saudades de escrever sonetos de segunda-classe (haverá frase mais portuguesa que a anterior?), portanto rendi-me à melancolia naval. Uma humilde contribuição à longa tradição artística portuguesa do “povo que”, marcado pelas composições de Pedro Homem de Mello (Povo Que Lavas No Rio) e Dead Combo (Povo Que Cais Descalço). A parte referente às cores da bandeira não é um produto do meu daltonismo latente e profundo, mas sim à antiga bandeira portuguesa, anterior à verde-vermelha (da qual gosto mais, mas carrega menos sentido simbólico nesta composição específica). (para leitores brasileiros, “aqueles raios que nunca partem” é um trocadilho com a expressão portuguesa “raios te partam“, que acredito nunca se ter difundido no Brasil, até porque é uma frase feita um pouco pateta)  

Poesia Portuguesa

Por motivos de sigilo em natureza extraordinária, não poderei publicar mais trabalhos em Português durante algum tempo, sendo que dedicarei a maior parte do blogue à minha poesia em Inglês. Os poemas que já escrevi e publiquei irão manter-se, e planeio futuramente voltar a publicar mais. Um bem haja, meus amores, João Maria Azevedo

Sintonada (re-escrito)

Publiquei este poema, faz hoje um mês, e entretanto tive de o re-editar várias vezes. Gosto da sua ideia, mas não a consigo fazer funcionar totalmente, falta-me prática. SINTONADA SINTONADA Deitado no nosso doce leito, Já não sinto nada. Deito-me no teu peito, Ouço o teu coração em batida, Que numa ternurosa bravada Vai tirando o pouco que ainda sinto. E quando me dou ao verso, Já não sinto nada. Já não tenho lágrimas a chorar Nem poemas onde debitar A dor que já nem sinto. Dá-se então a entrada De um novo dia, radiante, Vejo a sua luz com encanto, E o teu sorriso contagiante. Mas já não sinto nada. Vivo num palco de sonetos, Sou actor de todos os momentos: Do amor, de amar, de te ter. E quando cai o pano de seda: Já não sinto nada. Nem o medo da morte, Nem a força da palavra… Atiro-me então, sem pudor Ao gume afiado da tua espada,

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T E M P O

Um poema um tanto estranho, não tens pés nem cabeça. Foi escrito à mão num tempo muito reduzido, e não o entendo directamente. Se virem algo nele, digam-me, per favore. TEMPO À invocada crueldade do Tempo, Faço oração de puro desespero: Que não me façam ode nenhuma. Que não alimentem esta loucura. Que não será na mortalha A escusa de encontrar a falha Entregue aos orgãos mais letais. Serão gigantes ecrãs de pedra, Empoleirados nas sete cabeças da Hidra, Onde se carvarão os meus textos finais. Será no halo dessas palavras, Cravados do mais solene silêncio, Que me darei à obra inacabada. Verterá, nas suas grandes mágoas, O liquido verde que ensopa as estrelas, E beija os fardos das maiores montanhas. São nessas palavras que racho a passagem, E é nelas que me desfaço em miragem, Na maralha de carinhos que me banha. Será nessa adorada beleza, Na candura do texto e sua natureza, Que o Tempo passará rapidamente. Inimigo

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