Poesia de Recado #4


Recado

Hoje tenho vinte e dois anos

E neles se depositam vontades,

Sonhos vazios e tantas esperanças,

“Vinte e dois? É a melhor das idades.”

Pois é, mas não nestas andanças.

 

Já se quebram os tempos uniformes

Das saídas, das amassos, dos homens,

Agora são só sombras disformes:

Memórias pobres que se oprimem.

 

Não tenho pena nenhuma de mirar

A mudança rápida da fluidez humana.

Tenho mais pena se por aqui ficar,

O insano dos tempos distintos,

Aquele que acredita na felicidade,

Haha, que coisa mais arcana…!

Sintoma próprio de pouca idade.

 

Em mim cabem os sonhos de todos,

E em mim todos eles morrerão,

Dou o corpo às flechas de fogo,

Em cordas de gritos e choros,

E pontas de dolorosa paixão.


JOHNNY SALVATORE

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DUAS BATIDAS

Eu tenho andado muito recatado,

Perco-me em qualquer doutrina,

Caço memórias tristes do passado

Presas nas garras d’uma ave de rapina…

 

Num turismo quase-emocional,

Vou batalhando dores de espinha

Ardendo solitário, pois sou eu o tal,

Que em labaredas de sonhos cinza,

Viu todas as cores numa visão letal.

 

Eu tenho andado recatado,

Já cansado de tanto correr,

Cansado de ouvir que irei morrer

A qualquer momento, qualquer lado.

 

Sem entusiasmo, vivo em cristais

Rachados por segundos perdidos,

Duas batidas fatais, quebro-me todo

Em sons sintéticos de metais.

 

E sonho não ter alma poética

Ou amar mais os becos escuros,

Que as praias banhadas de estética.

Sonho sempre por dias tão duros.

 

Assim, dou-me condensado

Em duas batidas perdidas,

Não são mais porque não são,

Podiam ser mais, mas não

As outras foram esquecidas.


JOHNNY  SALVATORE